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Chegada do bebé: quanto se gasta durante a gravidez e os primeiros anos de vida do bebé?

PicodiMaio 25, 2020

Segundo o relatório da ONU de junho de 2019, a taxa global de fertilidade é de 2,5 filhos para uma mulher. E embora a taxa de crescimento populacional desça desde os anos de 1990, cada ano nascem por volta de 140 milhões de crianças.

Não é mistério que a chegada do bebé aumenta significamente a lista de gastos. Apesar das despesas recorrentes de alimentação, roupa e fraldas, temos que incluir no orçamento grandes compras tais como berço, trocador, carrinho e outros.

Analíticos do Picodi.com pesquisaram qual é o valor de despesas ligadas com o nascimento do bebé: a roupa de maternidade, a mala de maternidade, o mobiliário e o custo de sustentar o bebé durante o seu primeiro ano de vida.

Crianças caras

A nossa lista de compras foi dividida em 7 categorias temáticas. Certos artigos foram classificados na lista do kit completo porque não são imprescindíveis.

DESPESAS DURANTE A GRAVIDEZ E O PRIMEIRO ANO DO BEBÉ

Durante a gravidez, a futura mãe tem que comprar o vestuário de maternidade, ou seja, roupa confortável e elástica ou de tamanhos maiores. O kit básico de roupa de maternidade custa cerca de 290€. Para o kit completo (420€) foram adicionados dispositivos úteis para uma mulher grávida: travesseiro de gravidez, detetor de batimento cardíaco fetal, e uma balança inteligente.

A mala de maternidade contém artigos básicos para a mãe e o bebé enquanto estiverem no hospital e custa 150€ na opção básica e 200€ na opção premium. As malas de maternidade podem ser completadas por conta própria ou é possível comprar um estojo pronto.

A preparação de casa, o equipamento e os acessórios para o novo membro de família são maiores despesas da nossa lista. Berço com colchão e edredão, trocador, cadeira de refeição, banheira, biberões, chupetas, acessórios de cuidados do bebé – tudo custa quase 700€. Se optarmos pelo kit completo que inclui intercomunicador digital para bebé, baloiço elétrico, aquece-biberões e outros acessórios, temos que se preparar para gastar 1235€.

Uma categoria comparavelmente dispendiosa é o transporte do bebé. Um carrinho de bebé 2em1 de classe média e uma cadeira auto com função de porta-bebé custam, em soma, 520€. Um carrinho de versão avançada, écharpe de transporte e portá-bebé mochila vão aumentar o preço total para até 970€.

Na categoria de produtos de cuidados do bebé, três quartos das despesas são fraldas. Esta invenção dos anos 50 facilita a vida dos pais, mas ao mesmo tempo esgota as suas carteiras. A provisão de um ano de cosméticos, detergentes e fraldas custará, dependendo das nossas preferências e possibilidades financeiras, de 531 até 719€.

A OMS recomenda alimentar o bebé exclusivamente por amamentação durante os 6 primeiros meses de vida. Sendo assim, na nossa análise a alimentação complementar está introduzida depois dessa fase. Os custos de alimentação neste período constituem cerca de 20% de todas as despesas, ou seja, 689€. Pelas refeições para o bebé que são mais caras ou de alta qualidade temos que pagar 826€.

Quando os pais escolhem roupa para o seu bebé, às vezes é difícil absterem-se de comprar mais uma “camisa tão bonita” ou “sapatinhos fofinhos”. No entanto, se comprarem o vestuário para o bebé com moderação, é possível que não ultrapassem 592€. Caso cedam à tentação, porém, vão gastar até 888€.

Em soma, o custo das compras necessárias durante a gravidez e o primeiro ano de vida do bebé é de 3470€. Os pais mais exigentes que decidem comprar produtos mais avançados e adicionais terão de gastar 5260€.

Quanto custa ter um bebé?

COMPARAÇÃO DAS DESPESAS COM O BEBÉ COM O SALÁRIO MÉDIO EM VÁRIOS PAÍSES

Segundo o INE, o salário médio no primeiro trimestre de 2020 em Portugal era de 929€. Isto significa que para comprar o kit básico de produtos para mãe e bebé se precisava de 3,7 de um salário médio.

Se compararmos os dados com outros países da Europa, chegaremos a observações interessantes. Na Espanha o kit em conta é um pouco mais barato do que em Portugal e tem valor de 3,2 do salário médio (tendo em conta os preços do país analisado). Já na Alemanha, é precisa somente 1,2 da remuneração e na Grã Bretanha 1,9. Os países mais caros da análise são a Bielorrússia e o Ucrânia – para sustentar um bebé os habitantes destes países têm que gastar, respetivamente, 8 e 9,1 do salário médio.

É de realçar que a legislação portuguesa abrange certos abonos e benefícios para os pais recentes, mas uma condição para receber estes benefícios é, entre outros, ter um rendimento abaixo do valor limite.

Metodologia

A pesquisa baseou-se em preços de retalho em lojas online em Portugal e outros países em maio de 2020. Os dados do salário médio provêm de páginas web dos institutos de estatística nacionais ou os respetivos ministérios. A lista de produtos definidos no kit básico e no kit completo encontra-se aqui.

Uso público

Sinta-se à vontade para usar os dados e infográficos do presente relatório para ambos usos comercial e não comercial desde que indique o autor da pesquisa Picodi.com com o link para essa subpágina. Se tiver qualquer dúvida, não hesite em nos contatar: research@picodi.com.