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Disponibilidade de transporte público no mundo

Picodimarço 16, 2020

O transporte público é um tema importante não apenas no Brasil, mas também ao redor de todo o mundo. O crescente congestionamento do trânsito e a poluição do ar são preocupações em muitas cidades, e motivo de discussões no meio político e civil. É por isso que o assunto tem ganhado cada vez mais notoriedade – parece uma solução óbvia para o problema, e em diversas cidades as autoridades tentam incentivar as pessoas a usar o transporte coletivo. Em Luxemburgo, por exemplo, recentemente foi lançado o primeiro transporte público gratuito em todo o mundo, não apenas para residentes mas também para turistas. Em menor escala, em outras cidades, como Tallinn na Estônia ou Olympia nos Estados Unidos, introduziram o transporte público gratuito para residentes.

O que impede as pessoas de usar transporte público? Apesar das diversas vantagens, algumas cidades lutam para tornar o transporte público mais rápido, conveniente e acessível. O preço do deslocamento diário, a segurança entre outros diversos fatores, podem convencer ou desencorajar o cidadão de pegar um ônibus. Por essa razão o Time de Analíticos do Picodi decidiu examinar o preço do passe mensal nas maiores cidades do mundo e confrontar com o salário médio para verificar sua acessibilidade.

Tarifas nos mundo

Transporte público ao redor do mundo

O preço mais alto por um passe mensal ilimitado de acesso ao transporte público foi verificado em Londres (cerca de USD 258,70), Dublin (USD 212,91), e Nova Iorque (USD 127). Entretanto, quando comparado ao salário médio mensal, o jogo vira para Nova Iorque: a cidade passa a ocupar o 18º lugar de 24 cidades. Isso significa que em média o nova iorquino pode comprar o passe mensal para ônibus e metrô com apenas 2,4 por cento do seu salário líquido.

Entre os brasileiros, os paulistanos têm sorte, mas nem tanto. De todo o país, esta é a única cidade onde é possível comprar o passe mensal que dá acesso (quase) livre ao transporte público. No entanto, para tê-lo, é preciso desembolsar em média o equivalente a 15 por cento do salário mensal. Os residentes da capital paulistana pagam R$338 no Bilhete Único Mensal que dá acesso a ônibus, metrô e trens da CPTM, com o limite de 10 embarques por dia durante 31 dias. Com um salário médio de R$2.203 o morador de São Paulo que desejar ter acesso quase ilimitado aos transportes públicos que a cidade oferece terá que desembolsar em média 15,34% do seu ganho mensal. De todas as cidades brasileiras pesquisadas, infelizmente, somente em São Paulo podemos encontrar uma opção de bilhete mensal que mais se aproxima ao livre acesso ao transporte público.

Passes mensais que comprometem o orçamento do cidadão também pode foram notados em Istambul e Londres, por exemplo, cidades nas quais os moradores precisam gastar em média 9 e 8 por cento, respectivamente, do seu salário para ter acesso livre e mensal transporte público.

Por outro lado os moradores de Zurique e Praga podem usufruir do transporte público acessível, o que lhes custa menos de 2 por cento do seus salários (1,37 e 1,84 por cento respectivamente). No topo do ranking entre os países onde o transporte público é mais acessível estão Tallinn e Luxemburgo onde os cidadãos podem usar o transporte público de graça.

Metodologia

A pesquisa foi feita considerando os preços de bilhetes avulsos e passes mensais coletados dos operadores locais de transporte público, em Março de 2020. Os salários líquidos médio nas 39 cidades pesquisadas foram extraídos no site numbeo.com. Para a conversão de moeda, usamos as taxas médias do Google Finance para Fevereiro de 2020.

O ranking inclui preços de bilhetes avulsos e passes mensais que permitem acesso ilimitado a todos os meios de transporte públicos dentro da cidade. Na comparação de bilhetes avulsos, o preço mais vantajoso para o usuário foi levado em consideração — comprado via aplicativo de celular ou cartão especial do passageiro.

O estudo exclui cidades onde um meio de transporte específico é oferecido por diversos operadores com política de preços muito diferentes (Tóquio, Beijing, Jakarta, Bangkok, entre outras).

A lista completa de países e operadores incluídos na pesquisa pode ser encontrado nesse link.

Fontes

  • https://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/europe/articles/luxembourg-free-public-transport/
  • https://theconversation.com/traffic-congestion-reconsidered-111921
  • https://www.theguardian.com/cities/2016/oct/11/tallinn-experiment-estonia-public-transport-free-cities
  • https://www.commondreams.org/news/2020/01/09/move-olympia-washington-create-zero-fare-public-transit-called-beautiful-thing

Uso Público

Fique a vontade para usar todos os dados e infográficos presentes no artigo para ambas propostas, comercial e não comercial, desde que indique o autor da pesquisa (Picodi.com) com o link para a subpágina. Se tiver qualquer dúvidas, entre em contato conosco: research@picodi.com.